Se querem saber, somos assim.
Efémeros corpos com um trono na cabeça, uma mente, uma razão.
Efémeros corpos com um lugar para os corações que batem ritmadamente até um dia pararem, ou quando acabarem o que têm de bater.
Começam por bater calmamente, discretamente dentro do corpo; incultos do saber e afastados da razão.
É fácil definir o coração, pois é sobretudo o maior inimigo da razão.
Razão intelectualizada, que faz distinções e elege pódios conforme as definições e as aparências abstractas.
Dificilmente conseguimos conciliar duas coisas tão distintas.
Inconscientemente, o ritmo começa a ser assimétrico e por vezes não acompanha a nossa mente. Fica descontrolado, emaranhado num mar de emoções e sentimentos entrelaçados numa alma tão pequena.
Nessa altura quem manda é o coração.
Afasta a razão do trono, e começa a dar ordens.
Ordena à cegueira, ao nervosismo, aos sonhos, às sensações descontroladas e chocantes.
Elimina as dúvidas da nossa mente, aspira os pontos interrogações do pensamento e envolve-nos num paraíso intenso por qual ansiamos nunca sair.
De súbito, vai deixando de bater e o imenso colorido e a ofegante alegria, caiem como uma chuvada de lágrimas e transformam-se num céu negro e frio, triste e absolutamente só.
É ai que a razão, emigrante da sua cela, reaparece caridosa, pronta para montar o puzzle da nossa vida.
Rodeada de palavras e citações, organiza a nossa mente e tenta manter firme o pódio deixado pelo que ainda resta do nosso derrotado coração.
Pesa as virtudes e os defeitos, mede cada centímetro da tristeza e aos poucos vai colorindo em tom de degrade, o negro céu da nossa vida.
Volta a simples rotina do bater, vulgar e normal, numa vida reconstruída e diferente.
O exame pesa e apresenta resultados.
O batimento cardíaco oscilou e quase desmoronou, e a razão manteve-se intacta, por vezes mais afastada mas conseguiu manter-se erguida.
Mas não tirando conclusões precipitadas, pois os resultados também podem ser enganosos, temos de ter em conta que se nos deixarmos dominar pela razão e arrefecermos o que temos a palpitar dentro de nós, podemos não assistir ao maior grau de imensidade da nossa vida. Apressem-se em distinguir, mas não se deixem redimir.
Dedicado a: Renato Pereira
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